28 de novembro de 2015

Ponto fraco


A gente brigou. Eu não sei o que fazer.

Na verdade, esse tipo de situação sempre me deixa sem saber o que fazer. Primeiro porque eu geralmente faço por merecer, segundo porque quanto mais eu falo, mais as coisas pioram. Cada palavra dura é um soco e eu nunca pensei que choraria tão fácil.

Ok, não chego a chorar, mas é essa a sensação. E olha que eu não sou assim.

Acho que nunca fui durona, mas costumava ser mais forte pra esse tipo de coisa. Basta uma palavra diferente, um lampejo de raiva (ou de tristeza) nele e o meu sorriso se esvai e eu... não entendo como a coisa se transfere pra mim tão rápido.

A diferença, digo pra mim mesma, está no amor. Dizem que isso é ponto fraco, não é?

Esse é o problema de gostar de alguém. De se deixar cativar, de ter afeição. Você fica vulnerável, sujeito às intempéries - e de um jeito tão imprevisível e frágil quanto gotas de chuva. Ó, é como se ele fosse o sol: só que nesse caso, ao invés de calor, irradia sentimentos. E assim eles chegam até mim e me afetam e tudo fica uma loucura aqui dentro. Se ele estiver triste, encho o saco até tirar um sorriso; se estiver irritado, tento acalmá-lo. Mas o pior (e mais importante) é que não consigo descansar até reverter as coisas. Por tempo indeterminado, fico triste - e preciso de doses extras de atenção pra conseguir pôr o foco em qualquer outra coisa.

Isso é insano.

Porque não suporto a ideia da gente brigado, porque ele me afeta mesmo sem querer e porque o que ele diz importa muito. Mesmo quando não deveria. Deve ser efeito dominó: se uma parte de mim não está bem, o resto tende a desabar. E essa parte, no caso, é ele.

Pra ser sincera, ainda não entendo a dinâmica do negócio, mas sei que é porque o amo. Deve ser, pelo menos. Senão não faria sentido. Mas ainda me intriga a intensidade da coisa, a fragilidade recém-descoberta.

Quando eu não admitia (nem pra mim) gostar dele, era isso que me jogava na cara a verdade que eu não queria ver. E aí não havia contra-argumentos: sim, você se importa com o garoto. Não tem pra onde correr. Aceita que dói menos.

A briga ainda não acabou, mas eu sei que vai ficar tudo bem. Ele vai me entristecer mais um pouco, depois se sentir mal (porque, acredito, me ama também) e pediremos desculpas um ao outro; daí voltamos ao normal, dizendo que não queremos que aconteça de novo - e claro que tudo isso não é tão rápido, mas vamos chegar lá. Então, depois de um abraço bem apertado, a gente se lembra de que precisa um do outro...

E não ousa se soltar.

2 comentários: