7 de dezembro de 2015

Carnaval fora de época


Sabe, eu nunca achei que entenderia poema de amor.

Até que "Soneto de Carnaval", de Vinicius de Moraes, apareceu na apostila de português. Constatei que estava realmente encrencada.

"Distante o meu amor, se me afigura
O amor como um patético tormento
Pensar nele é morrer de desventura
Não pensar é matar meu pensamento.

Seu mais doce desejo se amargura
Todo o instante perdido é um sofrimento
Cada beijo lembrado uma tortura
Um ciúme do próprio ciumento."

Não, não devia ser. Não podia. O cara tinha acabado de expor em palavras todos os meus pensamentos. Os meus sentimentos.

Porque fala sério, o amor é tosco. Fico agitada e ansiosa - sendo que o garoto tá na sala ao lado.

Não consigo parar de pensar nele, mesmo sabendo que não devia, e até o foco nas aulas fica comprometido.

Faltam só alguns minutos pra gente se ver no intervalo, e ter que soltá-lo por um segundo desse precioso tempo é impensável.

Isso tudo sem citar os beijos. Pensar nisso é um caminho difícil de se reverter, e fico com raiva do meu eu no pensamento por estar revivendo o que não vou poder tão cedo.

Então... Eu poderia negar pra todo mundo que entendia cada pedacinho daquelas estrofes. Mas pra mim mesma? Já era mais difícil. Ok, senhor Moraes, estamos na mesma situação. Eu te entendo, é nós, tamo junto. Só muda que o carnaval já passou. A menos que eu pense como naquela música de Toquinho:

"Se o amor é fantasia, eu me encontro ultimamente em pleno carnaval...".

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