8 de junho de 2017

Bradicardia



Querido Coração,

Com licença, você está aí? Digo... ainda bate? Sei que sou a última pessoa que você desejaria ver, mas é que posso ver como está: machucado. Doendo. Desistindo. E embora não pareça, sua respiração me preocupa. 

Sou a culpada pelos seus últimos hematomas; talvez por todos. Eu te coloquei em posição vulnerável, deixei que você ficasse confortável e, quando senti o baque, te tranquei. Como se fosse resolver alguma coisa... Tive as melhores intenções, juro. Mas não foi o suficiente pra parar as dores porque, assim como ninguém mais entrou, ninguém mais saiu. E o Cérebro não consegue esquecer, daí geralmente sobra pra você.

Pra gente, na verdade.

Mas não posso me fazer de vítima junto. Quando você está se levantando, limpando o sangue da boca, eu insisto em voltar ao ringue ainda tonta. E já perdi a conta de quantas vezes fiz isso.

Eu só queria dizer que sinto muito. Nos dois sentidos - afinal, você mora em mim. Juro que estou tentando achar a chave da prisão de tortura em que te coloquei.

Já quanto ao Cérebro... aí é outra história.

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texto inspirado na música

5 comentários:

  1. Senti o baque da intensidade que esse texto tem


    Meu Pai, não consigo explicar como amo teu jeito de escrever ❤

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  2. Que texto intenso Debee; acho que trancar o coração nunca é a solução, mas é isso que tendemos a fazer quando saimos machucados de alguma relação. Amei a forma como vc escreveu... ARRASA!!!!!

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  3. eu juro que senti a dor. E como sempre fico, tô pensativa e atordoada. Foram sentimentos tão verdadeiros que me consumiram durante a leitura. Eu AMEI demais. Ps: desculpa a demora por ler e o comentário confuso. É que eu sou assim mesmo RS

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  4. É bom dar um tempo ao coração de vez em quando.
    Excelente!

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